sexta-feira, 23 de junho de 2017

O jovem e as velhas ideias


Dia desses conversei com um jovem publicitário, bem informado, que vive, como muitos ligados a esse segmento profissional, de frilas, pequenos trabalhos, que, como disse, lhe pagam a gasolina e a cerveja. 

Em certo ponto da conversa, não lembro por que, ele fez a seguinte observação, que suscitou um interessante debate entre nós:

- Estou percebendo que você é um liberal...

Como neguei de imediato e com veemência, o papo enveredou para a política, tema geralmente limitado, atualmente, a algumas poucas, breves e ofensivas frases: " Você não passa de um petralha" e "fora, Temer" são as mais usuais.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A boa vida do senador cassado


O site Congresso em Foco publica reportagem exemplar sobre como é a Justiça brasileira, as relações de poder, e o mundo da política.
O protagonista é o ex-senador goiano Demóstenes Torres e o seu título já diz muito sobre o que vem a seguir: "Afastado do Ministério Público desde 2012, Demóstenes recebeu R$ 2,6 milhões sem trabalhar."
O texto é longo, mas vale a pena ser lido:

O barbeiro e a prisão do Lula


O meu barbeiro, aqui na pequena, religiosa e conservadora Serra Negra, tem uns 70 anos de idade, conhece um monte de gente, adora uma fofoca, está na posse de vários segredos da alta, média e baixa sociedade local, e conta "causos" com a naturalidade típica dos barbeiros de antigamente - quando barbeiros eram barbeiros, e não cabeleireiros. 

Acredito em quase tudo o que fala, pois, afinal, ele é muito mais bem informado do que eu - sabe-se lá quantas pessoas sentam em sua cadeira diariamente, muitas ali apenas para fazer as mais íntimas confidências entre uma tesourada e outra?

Foi o meu barbeiro quem disse, por exemplo, que os negócios na cidade estão meio parados já há algum tempo. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O voo dos pássaros e o comportamento dos homens


Morar numa cidade tranquila como Serra Negra, interior de São Paulo, faz com que a gente observe com muito mais atenção certas coisas que antes, na confusão da metrópole, passavam despercebidas.

O voo dos pássaros é uma delas.

Vejo, da janela do quarto que transformei num escritório, os urubus planando, com uma graça incomparável, em círculos cada vez maiores - o céu, azulíssimo, sem nenhuma nuvem, destaca seus vultos negros.

Algumas vezes o topo do edifício de frente ao meu recebeu a visita de altaneiros gaviões.
Pousados na beirada da caixa d'água, observavam, com a atenção dos predadores, tudo ao seu redor. 

Depois, se lançavam ao espaço, num voo que lembra o dos urubus, suave, com a impavidez dos fortes.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Desunidos, venceremos!


O incidente aeroideológico protagonizado pela jornalista Miriam Leitão dias desses trouxe à tona um velho debate das esquerdas brasileiras: a global recebeu a solidariedade de boa parte do chamado "campo progressista", enquanto a outra porção não só continuou a esculachá-la, como estendeu a bronca àqueles que a defenderam.

Já ouvi umas mil vezes que, por mais que pareça o contrário, o pessoal da direita está sempre unido quando é preciso, e o da esquerda briga até quando concorda em alguma - rara - coisa. 

Por isso, toda essa discussão sobre achar certo ou não dar um escracho na multicomentarista não surpreendeu quem acompanha, ao menos minimamente, a política nacional.

A divisão das esquerdas é histórica, vem desde sempre.