sexta-feira, 24 de março de 2017

Desvendando as mentiras da reforma da Previdência para impedi-la


Roberto Requião

Depois de ler e reler as propostas de reforma da Previdência do governo, depois de ouvir desde os meus conterrâneos lá nos fundões do Paraná até qualificados especialistas no assunto, concluo: estamos diante de um dos maiores embustes da história brasileira. Mais que isso, estamos diante de uma das maiores crueldades que se ousou perpetrar contra o nosso povo.

Talvez ela seja comparável com a monstruosa emenda constitucional que pretendeu congelar por 20 anos os gastos públicos no país.

Com uma diferença: como suponho que o país não enlouqueceu completamente, o congelamento dos gastos será revogado no devido tempo.

Mas a pretendida reforma previdenciária preocupa. Ela, caso aprovada, será mais difícil de ser cancelada.

É que a PEC da Morte, como ficou conhecida, fere não apenas os interesses gerais da sociedade, mas também grupos de interesse que giram em torno do Estado. Já a Previdência é uma instituição do povo e para o povo, embora dela se beneficiem também alguns grupos corporativos.

A revista dos donos do Brasil agora é mensal


De uma coisa o prefeito paulistano, João Doria, não pode ser acusado: desconhecer o jogo do capitalismo, ou do "empreendedorismo", como queiram.

No frigir dos ovos, como se dizia antigamente, Doria é um espertalhão.

Filho de "bom berço", não teve de pegar muito no pesado, mas soube construir como poucos a sua carreira de empresário de egos, aproximando executivos de políticos e políticos de executivos.

Hoje tem um conglomerado de empresas que se dedicam ao mundo maravilhoso dos ricos e famosos, típicos ególatras, movidos a vaidade pura.

Nessa miríade de negócios cintilantes há até espaço para uma revista, esse meio de comunicação que anda meio sumido e que já tem lugar reservado nos bons museus mundo afora.

A publicação, como não poderia ser diferente, se chama Lide - o nome mágico que Doria escolheu para a matriz de seus inúmeros negócios.

E, coincidência ou não, apenas dois meses depois de ele ter assumido o cargo de alcaide paulistano, a Lide fica mais saidinha, mais fortinha, com a cara típica do Brasil Novo: antes bimestral, agora é mensal, avisa o press release distribuído pelo Grupo Doria, que explica a quem a publicação se destina, o "público triple A, decisor".

Já fiz a minha assinatura.

A  íntegra do material de divulgação vai na sequência.

É rir para não chorar...

quinta-feira, 23 de março de 2017

Eu, "pejotizado"


Por pouco mais de três anos tive a infeliz experiência de trabalhar não exatamente como terceirizado, mas como "pejotizado", ou seja, obrigado a apresentar notas fiscais de pessoa jurídica para receber, mensalmente, a minha remuneração como editor-assistente do "Valor Econômico".

Só pude trabalhar no "Valor" pela segunda vez, meses depois de ter-me demitido do Estadão, sob essa condição.

De cara me avisaram que quem era contratado entrava numa fila de regularização trabalhista, ou seja, os mais antigos eram os primeiros a ter o privilégio de ter o emprego registrado na Carteira Profissional.

O trabalho na condição de "pejotizado" podia durar um ano, dois anos... Tudo dependeria da condição financeira da empresa.

O longo ano de 2017


Clemente Ganz Lúcio

As questões colocadas na agenda dos debates deliberativos do Congresso Nacional e dos encaminhamentos do Poder Executivo são iniciativas complexas do governo federal e que terão múltiplos impactos sobre a vida das pessoas e as bases do desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil. Será um longo ano de um tempo curto para as lutas.

O desemprego crescerá porque a economia continuará patinando, o que dramaticamente compromete a vida dos trabalhadores e a perspectiva geral do desenvolvimento do país. Por isso, a centralidade da luta pelo emprego, o que requer uma visão estratégica de como retomar e sustentar o crescimento e o desenvolvimento econômico nacional e soberano.

As escolhas dos caminhos para o desenvolvimento de uma das maiores economias do planeta envolvem múltiplos e poderosos interesses, em um jogo que vale tudo. A democracia é uma construção política para colocar limites ao vale tudo e, com regras, fazer as escolhas a partir do debate público e com participação social. Defendê-la será uma grande tarefa para este ano.

Previdência tem R$ 426 bi em débitos. Está quebrada?


Só este ano, mais de R$ 127 bilhões deixaram de ingressar nos cofres públicos em decorrência da sonegação de impostos. Como se não bastasse esse montante, a dívida que pessoas físicas e jurídicas têm com a União já supera R$ 1,8 trilhão. Essa conta inclui o débito de grandes empresas com a Previdência Social: elas devem mais de R$ 426 milhões ao INSS. Ao calcular o “déficit da Previdência”, no entanto, o governo federal desconsiderou esses milhões e colocou o prejuízo na conta do trabalhador. É o que revela o Sonegômetro, placar criado pelo Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional – Sinprofz exposto hoje, 23 de março, no Setor Comercial Sul, em bRasília.

A sonegação de impostos tem superado os R$ 500 bilhões todos os anos. Segundo o Sinprofaz, a recuperação dos créditos inscritos na dívida ativa da União (DAU), além de impedir que haja qualquer déficit na Previdência Social, evitaria o aumento dos impostos que recaem sobre a população. Por isso, o Sonegômetro foi instalado próximo ao Impostômetro, painel que demonstra os bilhões pagos pelos cidadãos em impostos, taxas e contribuições todos os anos.