quinta-feira, 13 de julho de 2017

A banalização do cinismo


O cinismo, realmente, se integrou perfeitamente ao espírito do brasileiro. 

As manifestações desse tipo de comportamento, antes restritas a uma minoria, hoje se espalham por todos os lados.

Ser cínico, hoje, parece, é obrigação de quem quer estar em dia com os ares fétidos deste Brasil Novo. 

Não faltam exemplos de cinismo.

Um deles foi enviado via e-mail para um mailing extenso de jornalistas: trata-se de um press release da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e Serviço de Proteção ao Crédito, a respeito da infame aprovação do projeto de lei da tal "reforma trabalhista", essa monstruosidade que, na prática, acaba com a CLT, o conjunto de normas que regulava a relação capital-trabalho, promovendo algum equilíbrio entre as partes.

O título do material é um primor: "Entidades do varejo comemoram aprovação da reforma trabalhista."

Para não provocar ânsias de vômito, transcrevo apenas três parágrafo da peça pornográfica:


"A aprovação do texto-base do projeto da reforma trabalhista, na noite desta terça-feira (11), no Plenário do Senado Federal, foi recebida com o sentimento de vitória e de dever cumprido pelas principais entidades que representam o segmento do varejo. O placar de 50 votos favoráveis à 26 contrários mostra que o Brasil deseja avançar no processo de atualização das leis, que por terem sido criadas na década de 40, já não mais se adequam ao mercado de trabalho moderno.

A nova legislação que entrará em vigor 120 dias após sanção presidencial, que acontecerá nesta quinta-feira (13/07), valoriza os acordos coletivos, possibilita a readequação de jornadas de trabalho, além de reduzir a burocracia dos contratos com prevalência dos acordos. O desejo da UNECS é que o presidente Michel Temer sancione sem vetos que prejudiquem o setor, especificamente no que diz respeito ao trabalho intermitente.

Essa conquista da sociedade brasileira que tem o potencial de gerar novos empregos e impulsionar a economia nacional é comemorada pelo setor de comércio e serviços, que representa 68% do PIB nacional e 73% dos empregos diretos. Somente as sete instituições representativas que compõem a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) respondem por 21% das vagas formais do país e detém o faturamento de R$ 1 trilhão."

Enfim...

É com esse tipo de empresário que o Brasil conta para ser um país mais justo, menos desigual e mais democrático. (Carlos Motta)

Um comentário:

  1. Isso já passou de cinismo. Parece conversa que acompanha sorriso amarelo. No bairro que moro já fecharam umas 20 lojas desde o golpe. E os caras continuam fazendo merda. Será andaço de jumentismo?

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